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20 de maio de 2013

Bate-boca na Câmara de Santa Inês marca votação de Projeto de incentivo fiscal

A sessão ordinária da Câmara de Vereadores de Santa Inês desta sexta-feira (18), que seria realizada no povoado Bom Futuro, ocorreu mesmo no Plenário da Câmara e foi, de longe, a de ânimos mais acirrados desde o início desta legislatura. Bate-boca, ameaça de cassação de mandato, ameaça de renúncia de mandato, briga entre aliados e, (pasmem!) até acusações de ameaças de morte.


Vamos do início...

O prefeito de Santa Inês, Ribamar Alves (PSB), enviou à Câmara o Projeto de Lei nº 013/2013 datado de 8 de maio deste ano para apreciação e votação dos vereadores. O Projeto concede benefício fiscal, consistente na redução de alíquota do Imposto Sobre Serviço de Qualquer Natureza (ISSQN) à empresa Elecnor do Brasil Ltda.

A Elecnor Brasil Ltda é uma empresa instalada em Santa Inês que está responsável pela construção da linha de transmissão de energia elétrica que integrará a Subestação de Açailândia à Subestação de Miranda do Norte. A redução da alíquota tem fins de geração de emprego e renda ao município de Santa Inês. O incentivo fiscal consiste na redução da base de cálculo do ISSQN em 60% sobre a alíquota vigente por doze meses a partir da data de publicação da referida lei.

Vejamos então a contrapartida da empresa (e foi aí que a maioria dos vereadores chiou):
De acordo com o artigo 4º, a Elecnor do Brasil Ltda é obrigada a contratar mão de obra local equivalente a, no mínimo 30% do seu quadro pessoal. O artigo 5º diz que, "Somente na hipótese da ausência de mão de obra especializada, a empresa fica desobrigada de contratar trabalhadores locais".
Vereadores deixam plenário quase vazio durante discussão de Projeto de Lei
Pois bem. Os vereadores, ditos oposicionistas, discordaram de parte do texto referente à contrapartida da Elecnor do Brasil Ltda. De acordo com os parlamentares reclamantes, faltava substância. "Que garantia nós temos de que a empresa irá contratar o nosso povo, visto que o artigo 5º abre uma brecha para que a mão de obra venha toda de fora?" quis saber o líder da oposição, vereador Aldoniro Muniz. Houve bate-boca entre representantes da base aliada e de oposição. O presidente da casa, Franklin Seba, tentou controlar os ânimos, mas não conseguiu. Revoltados, alguns vereadores deixaram o Plenário e reuniram-se em gabinete para conversar sobre o assunto, Dr. Uchôa, Dr. Tomaz, Madeira, Creusa, Aldoniro Muniz e Irmão Machado.  No Plenário os demais legisladores aguardavam o retorno dos pares.
Oposicionistas reunidos em gabinete discutem Projeto
A saída dos vereadores foi encarada como absoluto desrespeito à mesa diretora e Franklin Seba disparou: "Eles não agiram de forma compatível com o que diz o Regimento Interno da Câmara. Eu darei 10 minutos para retornarem ao Plenário sob pena de terem os mandatos cassados". Visivelmente irritado, o presidente da casa continuou: "Eu não sou palhaço de ninguém".
Seba: "Eu não sou palhaço de ninguém"

Faltando 2 minutos para o fim do prazo dado por Seba, os vereadores voltaram. O bate-boca foi reiniciado e os ânimos acirraram-se, novamente.

O líder da situação desafiou Seba a manter a decisão de colocar a cabeça dos que se ausentaram a prêmio. "Pode entrar como o processo de cassação presidente. Somos 8 contra 7.  Ademarzinho acabou de fechar com a gente por telefone".

Madeira de Melo pediu humildade a Seba. "Vamos ser mais humildes vereador. Vista-se de humildade. Vossa excelência tem um bom coração".

Solange Nerval ficou visivelmente transtornada com a cena lamentável. "O que aconteceu aqui foi um desrespeito com os vereadores e com o povo. Estou muito nervosa".

Dr. Uchôa também lamentou o ocorrido: "É preciso que se tome medidas enérgicas para acabar com essa bagunça aqui. Da próxima vez que isso ocorrer e saio e só volto quando acabar tudo".

O líder do governo na Câmara, vereador Orlando Mendes pediu que Seba desistisse da idéia de cassação e retomasse a sessão. Seba atendeu ao pedido do colega: "Eu volto atrás".

A sessão foi retamoda. Mas, a primeira secretária, Professora Vera, ainda lia o resumo da sessão quando o bate-boca foi retomado na cozinha da Câmara. Batista de Biné e Irmão Machado trocavam acusações aos gritos. Os companheiros do deixa-pra-lá chegaram e tentaram apaziguar a situação. "Quero que registre em ata a ameaça de morte que eu sofri do Irmão Machado", disse Batista. Machado retrucou dizendo que iria procurar a polícia para registrar ocorrência de ameaça de morte sofrida por Batista. "Eu não tenho medo de homem nenhum", rebateu Machado.

Mais uma vez, Seba irritou-se com o que ele definiu como quebra de decoro parlamentar: "Eu prefiro renunciar ao meu mandato a me passar por palhaço nessa casa".

Apesar do pedido do vereador Dr. Uchôa para que a presidência da casa finalizasse a sessão, Franklin Seba decidiu reiniá-la, mais uma vez.

"Aqui está chegando projeto de manhã para ser votado no mesmo dia", denunciou Aldoniro. "Seba precisa tomar as rédeas dessa casa e agir como presidente e não como líder do governo. Afinal, a população não tem nenhuma garantia com esse projeto. Não somos contra a geração de emprego e renda, queremos apenas que a população esteja segura e seja beneficiada de verdade", finalizou Aldoniro Muniz.

Para Dr. Tomaz, a situação merece atenção especial. "Se aqui não tiver mão de obra especializada não vão contratar ninguém de Santa Inês. Então, incentivo fiscal a essa empresa não se justifica. Não há clareza no projeto".

O líder do governo, Orlando Mendes, disse não entender o motivo de tamanha confusão. "Era nosso sonho que as empresas viessem se instalar em Santa Inês e agora vocês querem impedir o desenvolvimento? Perdemos a Schin para Caxias por falta de incentivos fiscais. O nosso maior empregador era a prefeitura e agora tudo está mudando. Este é um momento histórico. Grandes empresas estão vindo para o nosso município".

Os vereadores Akson e Creusa da Caixa também pediram aos colegas que todos avaliassem o projeto com cautela para não cometerem um erro que prejudicasse a população.

Resultado:

Dr. Tomaz sugeriu que fosse feita uma emenda ao Artigo 5º do Projeto de Lei nº 013. De acordo com a emenda - aprovada durante a sessão - caso o município de Santa Inês não tenha mão de obra especializada, a empresa ou a prefeitura, é obrigada a qualificar a mão de obra local , sem ônus para o contratado.

Desta forma, está garantido que 30% do quadro pessoal da empresa será de Santa Inês, algo em torno de 2 mil novos empregos que serão gerados para o município.

Por fim, o Projeto - com a emenda - foi aprovado por unanimidade.